Professores em formação na Pio Décimo

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sábado, 26 de novembro de 2011

Questionamento à profesora Aldeni Santana sobre avaliação e educação inclusiva


Gostei muito das colocações de Maria Teresa Mantoan no texto 'Caminhos pedagógicos da inclusão'. Certamente poderemos aprofundar a discussão e absorver muita coisa positiva da sua prática em relação à educação inclusiva. No entanto, quando ela fala que 'temos de agir urgentemente', coloca um ponto que me deixa intrigado: - 'garantindo tempo para que todos possam aprender e reprovando a repetência'. O que ela quer dizer com isso? Qual a sua (sua, Aldeni) opinião sobre repetência? Qual a melhor maneira de avaliar alunos com deficiência?

Professora Aldeni Santana
As escolas e as práticas pedagógicas precisam ser inovadas, precisam ganhar um sentido maior...Concordo plenamente com Mantoan quando ela afirma que " Inovar não tem necessariamente o sentido do inusitado. As grandes inovações estão, muitas vezes na concretização do óbvio, do simples, do que é possível fazer, mas que precisa ser desvelado, para que possa ser compreendido por todos e aceito sem outras resistências, senão aquelas que dão brilho e vigor ao debate das novidades".
Você provoca com um questionamento interessante acerca da repetência e da avaliação. A repetência é resultado da qualidade do ensino que está sendo oferecido (fracassado)...e a avaliação como vem sendo aplicada reforça ainda mais esse fracasso. As respostas educativas que os sistemas de ensino estão tendo...mesmo que gritantes, não estão fazendo efeito. Permanece tudo do mesmo jeito...sem perspectivas de mudanças.
As pesquisas, os dados revelam quão deficientes estão os rumos da educação.
Considero arbitrária a forma como os alunos são avaliados...nessa perspectiva de selecionar...nivelar por cima. Avaliar é muito mais que isso! Claro que defendo a avaliação...é preciso avaliar, sentir os resultados do que está sendo feito...Mas, dentro de uma visão mais ampla. Comungo da mesma opinião de Mantoan quando ela defende que "a avaliação constitui um outro entrave à implementação da inclusão. É urgente suprimir o caráter classificatório da avaliação escolar, através de notas, provas, pela visão diagnóstica desse processo que deverá ser contínuo e qualitativo, visando depurar o ensino e torná-lo cada vez mais adequado e eficiente à aprendizagem de todos os alunos. Essa medida já diminuiria substancialmente o número de alunos que são indevidamente avaliados e categorizados como deficientes, nas escolas regulares".
Penso que a avaliação deveria abranger todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender...principalmente as práticas desenvolvidas nas salas de aula perpassando por uma dimensão diagnóstica...e, com objetivos definidos sobre o que está sendo feito e o que pode ser feito para melhorar. Esta é a linha que defendo.
Este recorte do texto traduz a preocupação da autora ao defender que "Priorizar a qualidade do ensino regular é, pois, um desafio que precisa ser assumido por todos os educadores. É um compromisso inadiável das escolas, pois a educação básica é um dos fatores do desenvolvimento econômico e social. Trata-se de uma tarefa possível de ser realizada, mas é impossível de se efetivar por meio dos modelos tradicionais de organização do sistema escolar.
O fracasso escolar é gritante...as respostas eduacativas não estão atendendo às necessidades dos alunos...por isso a autora destaca a urgência de "reprovar a repetência". É necessário que as esolas revejam o seu papel...que os professores reconheçam o poder da função que exercem. É urgente que sejamos capazes de reconhecer "a aprendizagem como o centro das atividades escolares e o sucesso dos alunos, como a meta da escola, independentemente do nível de desempenho a que cada um seja capaz de chegar são condições de base para que se caminha na direção de escolas acolhedoras.

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